30 de novembro de 2009

O maravilhoso universo rítmico de Guem...


Desde que o Dr. Lonnie Smith esteve por aqui, não me emocionava tanto em um show como foi o caso do Guem...
Sabe aquela sensação de corpo e alma lavados que só o bom som proporciona? Difícil tentar explicar com palavras, mas achei as ideais na capa do disco do moço, e só agora pude, verdadeiramente compreendê-las...


"Uma das mais gratas surpresas que a música instrumental reservou no Brasil em 1981 foram, sem dúvida, os recitais no auditório da Universidade de São Paulo, em duas noites memoráveis, com casa superlotada, daquele que é não só o melhor percussionista do mundo, mas principalmente um percussionista único, GUEM.

A unanimidade dos elogios de que GUEM foi alvo, de musicistas, críticos, músicos, estudiosos da cultura africana e público em geral, todos fascinados com a arte inacreditável deste homem de raras virtudes pessoais e artísticas, como a simplicidade, a modéstia, a simpatia por um lado, e a maestria com que domina seus instrumentos, a musicalidade, a energia, o sentimento e a emoção que consegue transmitir por outro, são o eco de um sólido prestígio e respeito que ele vem acumulando em quase vinte anos de intensa e profícua atividade na Europa.

Dizer que Guem é o melhor percussionista africano da atualidade é, contudo, dar uma pálida idéia de transcendentalidade de sua arte, que vai além da música e da dança, incorporando de maneira para nós inédita o mistério , a exuberância e o vigor de uma cultura profunda e viva, embora ainda pouco conhecida, que é uma das raras reservas de valores autênticos ainda não contaminados pelo materialismo da civilização ocidental, e que já nos deu maravilhas como o jazz e a musica afro- americana, inclusive o samba.

O som de Guem, como observou com muita propriedade o africanista Sérgio de Souza Oliveira, da Universidade de São Paulo, " não provoca um eco vago e impreciso, nem uma série de fenômenos de sensibilidade despidos de ordenação lógica e compreensão verdadeira, é um som que evoca um hino harmonioso e sonoro, independentemente de se compreender os sentidos de seu toque, um som que penetra simplesmente em nosso ser, aumentando a força, a energia vital, que possuimos. Guem não é apenas um artista famoso, ele exprime , através de sua arte energia, pensamentos e ideais no mais elevado sentido do termo, traduz atitudes duradouras onde nossos próprios pensamentos se concretizam em formas definitivas, em questões essencialmente humanas de alcance universal"

Do ponto de vista estritamente musical, é de fundamental importância um depoimento feito por um professor e emérito baterista norte americano que integra o quarteto do legendário pianista Earl Fatha Hines, Willis Kirk, "Estou convencido de que Guem é o percussionista mais musical que jamais ouvi. Ele tem o poder , a imaginação e a beleza que cria um tipo de emocão que jamais encontrei em nenhum percussionista. Ele atingiu um grau de grandeza que chega a ou emana de muito poucos indivíduos. A beleza despojada de sua execução é, as vezes, quase inconcebível. Seu incomum sentido de rítmo e seus conceitos rítmicos são altamente refinados e ele tem a habilidade de mudar de ritmo de modo tão suave que nos deixa pensando num ritmo que já não esta tocando. E sua técnica, que obviamente foi desenvolvida em muitos, muitos anos de prática, é quase perfeita, se é que se pode dizer isso da técnica de alguém..."
Armando Aflalo (1982)



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